Sintomas de Interativo
Março 7, 2008
Juliana diz: Você mudou de agência!?
Honório: Mudei, não tinha te contado?
Juliana: Não seu safado. Mas ainda é online né?
Honório: É sim, não tem mais como mudar. O sangue que corre em minhas veias corre em kbytes por segundo (kbytes porque eu trabalho com internet no Brasil)
Me ensina a desenhar?
Dezembro 18, 2007
Um primo de 12 anos fazia uma visita em casa. Entre os assuntos habituais da falta de assunto (causada pela diferença de idade eu acho), ele me perguntou o que eu estudava, respondi “Desenho Industrial” (minha resposta padrão pra quando não quero ficar explicando o que faço), mas uma criança não se contentaria com tão simples resposta (como não pensei nisso antes?).
Ouviu a palavra desenho e logo pediu para ver os meus. Peguei minha pasta, alguns rabiscos no meio de um bloco meio vazio que estavam no meu guarda-roupas e comecei a mostrar pra ele… os olhos brilhavam, em meio a “que dá hora”s. A conversa foi assinada com um “me ensina a desenhar?”
Fiquei sem ação, ensinar a desenhar? Ok, lápis e papel na mão e a primeira lição foi fazê-lo ver linhas. Depois, um pouco de massa: como fazer um circulo virar uma bola e uma bola virar um personagem. Depois de falar e rabiscar pra caramba, perguntei “o que você quer desenhar?” ele respondeu “um carro”. Tudo ficou mais complicado, eu NUNCA desenho carros, mas vamos lá, estava gostando de catequizá-lo. Uns poucos traços e… pronto, ja começava a aparecer algo como uma pick-up.
Vê-lo empolgado com a idéia me deixou animado, mas eu queria mais, queria ser mágico. Soltei um “mas e se eu quiser que seja um fusca?” mais alguns rabiscos e o último traço foi decidido com um “QUE MUITO LOKO(assim mesmo, com K)”. e a conversa finalizada com: “Thiago quero fazer desenho industrial, quero desenhar carros”.
Um filme que vale pela direção de arte
Dezembro 10, 2007
Comprei Frida, filme que conta a história da pintora mais mexicana e mais cool de todos os tempos.
Já havia assistido a um tempo atrás, e nas ultimas semanas as imagens, cores e sons do filme voltaram a minha mente junto a um impulso consumista que me levou a loja, a prateleira, ao caixa e finalmente a bandeja do meu DVD Player.
Eu me questionava: porque estou comprando um filme que nem acho tão bom assim. Fui respondido pela bélissima direção de arte e pela apaixonante personalidade de Frida Kahlo.
Dizem que o filme é vago, que a interpretação de Salma Hayek é falha, mas tem cenas que independem da interpretação da Salma para mostrar quão apaixonante era essa mulher. A cena em que Frida entra na competição de quem bebe o maior gole de tequila para poder dançar com a bélissima Tina Modotti ou a cena de Frida e Diego Rivera recém casados no mercado.
Você leitor que me conhece: eu empresto com gosto!
Você leitor que não me conhece: alugue, compre… vale pela trilha, pelas cores, pelas formas e pela Frida.
Por que sociabilizar é o grande lance da internet?
Agosto 20, 2007
Você está conectado e não está sozinho.
Enquanto assiste TV você está conectado à Hebe, ao Faustão, ao Gilberto Braga ou a Sirí. Enquanto lê jornal você cria uma relação com os fatos acontecidos ontem, aos indíces do mercado econômico, aos próximos capitulos da novela etc.
Na TV você não tem mensageiro instantaneo, no jornal não tem orkut, no rádio não tem email e por aí vai…
Eu costumo afirmar que internet é tudo aquilo que as outras mídias são, num mesmo espaço, dividido com gente que você conhece ou não. E quando eu falo INTERNET já não estou falando mais só de computadores pessoais, você não precisa mais de um computador pra estar conectado, hoje com um celular você está online, amanhã sua TV também será seu endereço.
Sociabilizar e compatilhar, a internet vem desenvolvendo essas capacidades conforme os usuários respondem a esses produtos. Eu divido com vocês meu ponto de vista, me esponho, deixo aberta a possíblidade de trocar (comentários), seu comentário é conteúdo agregado, é exposto e deixa aberta a possíbilidades de replicas, treplicas etc…
A Coca-cola é um cliente que a tempos vê isso. A iniciativa www.cokering.com.br usava os blogs pessoais como mídia, conectando os donos de blogs e seus leitores a marca, agora uma outra iniciativa da rede posiciona a marca como inovadora em uma nova iniciativa, o Sprite Yard, rede social baseada em aplicativo para celulares.
Você já imaginou trocar mensagens, videos, fotos com seus amigos? Claro isso já é possível.
Mas e se você baixasse e compatilhasse conteúdo exclusivo, ringtones, animações e videos em capítulos? Tudo isso em troca dos códigos que você pega em tampinhas de garrafas? O Sprite Yard chegou a pouco nos Estados Unidos, depois de um grande sucesso na China, se chega aqui eu não sei, mas que é uma aula de convergência e mostra que os cleintes estão preparados para projetos inteligente, não precisamos ter o Yard para perceber.
Eu e a minha visão de internet
Maio 16, 2007
Será que sou só eu? Depois do post negando a interface como arte(que só serviu para ilustrar esse post) venho aqui deixar uma questão no ar. O que é internet pra você? E quem é o profissional de internet pra você?
Eu sempre afirmei que as universidades daqui não formam profissionais qualificados a trabalhar com internet. Durante uma das minhas passagens profissionais eu ouvi que deveria aprender a programar porque esse seria um diferencial meu como designer, acho que meu chefe só falou isso porque nosso único programador havia saido da empresa, mas não é que hoje faz sentido pra mim? Não, eu não acho que diretores de arte tem que aprender a programar, mas programar no meu caso ampliou o leque de possíbilidades e me fez ver a internet além da folha em branco cotidiana no universo dos designers.
A partir de hoje eu começo a postar aqui a visão de alguns profissionais da área sobre o que é internet pra eles.
Vou começar postando o meu ponto de vista. Que espero não seja só meu. O espaço está aberto, vamos debater a internet.
Eu vejo…
Se você voltar atrás e pensar no computador como a máquina mais complexa e facinante já inventada. Não estamos falando de uma plataforma audio-visual como a TV ou o cinema, em um espaço para notícia e informação como os jornais e revistas, estamos falando de uma maquina que processa tudo isso e ainda permite interação.
Quando pensamos no computador como meio de comunicação multipontos(internet) o conceito se amplia ainda mais, porque aí então o computador além de processar imagem, texto, sons e algoritmos que geram infinitas possíbilidades, estamos falando de uma máquina que liga pessoas, e ganha a possibilidade receber e processar uma informação de qualquer outra parte do mundo alí, na sua frente, em tempo real.
Internet pra mim tem como chave a variavél(inconstante) usuário.
A chave que guarda o segredo de tudo isso. O cara que ta aí inventando, educando o mercado, absorvendo tecnologia numa velocidade absurda.
E o profissional de internet do futuro é o cara que vai entender “ver” isso tudo. Entender internet como um espaço onde as coisas acontecem e acontecem graças a esse cara vai ser fundamental. O designer vai criar a interface, o programador vai codificar a a mensagem do computador para o usuário e vice-versa, o mídia vai buscar no espaço as possibilidades de falar com o usuário. Mas o interativo, esse sim vai pensar em tudo isso pensando só em internet.
Recebi uma proposta de freela para ilustrar 2 formigas para uma agência de 2 irmãos. O briefing inicial: Queremos 2 formigas que tenham caracteristicas físicas nossas.
Me pus a desenhar. Depois dos primeiros desenhos e… “É que nós queriamos que tivesse referência de Toy Art”.
Ok, mais alguns desenhos e… “É uma formiga só. E vai ser aplicada como nossa marca”.
Mais alguns desenhos e.. “E se ela estivesse virada, e fosse mais divertida? Mas sem ser infantil.”
Resultado: Foram mais de 20 desenhos. 1 escolhido e desescolhido. Vários conceitos e “não ta rolando, já perdemos muito tempo e ainda não chegamos no desenho que queriamos.”

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Uma pena, eu gostei muito de alguns resultados. Acho que algumas opções tem força e personalidade para ser agregada a uma marca, mas infelizmente elas só vão ficar conhecidas aqui, por vocês.
Fiquei frustrado por não conseguir decifrar o briefing ou o desenho que estava lá o tempo todo, na cabeça do cliente.
Eu já não sabia cobrar e agora aprendi a não receber. Foram dias de trabalho, vários emails enviados, algumas visitas feitas, NENHUMA formiga escolhida e nem um centavo no bolso.
Mantenha Distância(ou não). Aula de cinema aplicada a vida.
Abril 26, 2007
Sempre fui fascinado por cinema, com o tempo me tornei daqueles chatos que assiste e comenta a estrutura do roteiro, a fotografia, a montagem e a direção.
Ontem durante a aula de Video Design, minha professora disse umas palavras que devem servir para qualquer tipo de “paixão”.
“Quando você se distancia da obra consegue analisá-la não mais como um mero espectador inocente, consegue perceber como o diretor manipulou suas emoções. Seu riso, seu medo ou suas lágrimas estavam previstas no projeto.”
Profundas as palavras, aplicáveis a muitas outras coisas na vida. Eu por exemplo aplico(até então inconscientemente) isso a meu dia-dia profissional. Porque esse formato? Porque esse posicionamento? Porque’s e senão’s que formam minha visão crítica.
Voltando a falar de cinema eu me peguei a pensar, que fora a razão da professora, muitas vezes eu sentei na poltrona do cinema e saí sem palavras, se os risos ou as palavras estavam no projeto, eu não via projeto nenhum, foi uma experiência única e exclusivamente sensorial. Eu simplesmente deixei de ser o chato de cinema pra me deixar envolver.
Tá, e isso se aplica a internet? Este blog me fez esquecer que era profissional de internet pra simplesmente sentir.
Não estou falando de uma ação sensacional, que fala diretamente com um nicho. To falando de uma história, que fala diretamente com cada um de nós.
Televisão é mídia, mas é sensação e é história. Cinema é projeto, mas é história. E a internet, comunica, é mídia, mas deve fazer história também. A acessibilidade trás a possibilidade de deixar a história de cada um para a posteridade.
Certa vez eu li que um dia todos teriam um blog. Eu adaptaria para “Todos deveriam ter um blog”.
A torre de Babel da propaganda online
Abril 18, 2007
Dando continuidade ao post anterior, vou falar um pouco da dificuldade na comunicação entre os departamentos de mídia, criação e programação/tecnologia.
O que percebo é que criação e tecnologia tentam um dialogo, mas não se entendem. Já a mídia, essa deve estar num outro nível da torre.
Como disse anteriormente, as possíbilidades são grandes, inovando em formatos já existentes ou criando novos.
O termo-vedete da vez é EXPERIÊNCIA. Acho que estamos educando os usuários através dessas experiências, e eles dando forma ao mercado com seu aceito(o click).
Você inova de acordo com o que os usuários mostram que gostam ou são capazes de fazer, eles respondem de uma forma muito simples, interagem ou não. Você como agência transforma a “experiência” em case e estudo de hábito de usuário.
Já ouvi que a internet é o TUDO, é radio, é TV, é revista, é jornal além de ser internet, e de fato é. Os profissionais que estão trabalhando com internet hoje foram formados para o mercado off(em sua grande maioria), quem está chegando tem que se especializar em gente.
Multimídia no sentido mais amplo que a palavra tem. E quem é que vai falar com toda essa galera? Faze-los falar a mesma língua? O brasileiro já está na lista dos usuários mais assiduos de internet. Estamos falando o que eles querem ouvir, ler e ver?
QUANDO É QUE VAMOS DEIXAR DE VER SUPERBANNER, BANNER, SKYSCRAPER PRA VER OPORTUNIDADES DE SER SURPREENDENTES?
(Este post é uma prévia de um assunto que pretendo abordar em breve)
Eu costumo dizer que a internet cresce com os usuários. A web 2.0 nada mais é do que a descoberta do poder que temos como usuários de internet. A tecnologia vai respondendo a essa evolução comportamental e gerando produtos “inovadores”.
A propaganda online sempre foi muito questionada. As estatisticas não são muito favoraveis, a tava de conversão de cliques em banners por exemplo é de 1%. As agências e profissionais defendem como experiência, branding (o que eu concordo).
A um tempo atrás escervi(alfinetei) no CI9 um post sobre uma peça da Natura onde o usuário podia optar por não vê-lo durante um período de tempo(iniciativa continuada pelo próprio CI9 agora).
Ok, depois da polêmica e da minha retratação, minhas impressões agora são a favor deste tipo de iniciativa.
Mas acho fundamental que tecnologia, criação e mídia se conversem. Nesse caso minhas perguntas são: falando de tecnologia, como se comporta essa propaganda não vista? O page-view(não-view) é contabilizado? E falando do ponto de vista da mídia, quem ta pagando pelo espaço vazio?
Do ponto de vista de mercado, é legal ter números a respeito do comportamento do usuário, ver um cliente corajoso como a Natura topando ser fechada. Que venham os resultados confirmar que toda ousadia é valida.
Piadinha virtual
Março 13, 2007
Quando você percebe que está trabalhando demais? Quando suas piadas tem a ver com seu trabalho e só você entende talvez seja um sinal.
- Olha os peitinhos dela.
- Poutz, não deu tempo.
- Relaxa, nem era tudo isso.
- Ah, ela tem seu charme.
- É que a Maria* tava aqui até agora.
- Mas aí é covardia, a Maria* é otimizada, mas a Joana* tem um page rank até que legal.
- Terceira página.
- Para, você pegaria a Joaquina*, e essa eu não pegaria nem se fosse link patrocinado.
*nomes fictícios, hehehe